No mês de março, as contas externas do Brasil apresentaram um déficit de US$ 6,036 bilhões, conforme revelou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (24).
Esse valor é mais de duas vezes superior ao que foi observado no mesmo intervalo de 2025, quando o déficit atingiu US$ 2,930 bilhões nas transações correntes. Esses dados dizem respeito à importação e exportação de bens e serviços, além de transferências de renda com nações estrangeiras.
Após três meses consecutivos de queda no déficit, com acréscimo no mês anterior, o déficit total nas transações correntes chegou a US$ 64,274 bilhões nos doze meses até março, o que equivale a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador que mede o total de bens e serviços fabricados no país.
Comparando com o mesmo período que terminou em março de 2025, o déficit teve uma diminuição; nesse mês, o resultado em doze meses ficou negativo em US$ 74,383 bilhões, ou 3,47% do PIB.
No mês de março deste ano, a deterioração em relação ao ano anterior resulta de uma diminuição de US$ 1,6 bilhões no superávit da balança comercial de bens, provocada pelo aumento das importações. Além disso, houve um acréscimo de US$ 1,1 bilhão no déficit da renda primária e de US$ 600 milhões no déficit em serviços.
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Investimentos
Segundo o BC, as transações correntes mostram um cenário muito favorável e, apesar do aumento no mês passado, apresentam uma tendência de queda no déficit em doze meses desde setembro de 2025.
Adicionalmente, o resultado desfavorável das contas externas é sustentado por investimentos de longo prazo, especialmente os investimentos diretos no Brasil (IDP), que têm fluxos e estoques de qualidade satisfatória.
O IDP foi de US$ 6,037 bilhões em março deste ano, comparado a US$ 6,295 bilhões no mesmo mês de 2025. Quando o país apresenta um saldo negativo em suas transações correntes, é necessário equilibrar o déficit através de investimentos ou empréstimos internacionais.
A forma mais eficaz de financiamento do saldo negativo é por meio do IDP, pois os recursos são direcionados para o setor produtivo e geralmente representando investimentos de longa duração.
Nos doze meses até março, esse tipo de investimento totalizou US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB), comparado a US$ 75,918 bilhões (3,24% do PIB) no mês anterior e US$ 74,078 bilhões (3,45% do PIB) no período que se encerrou em março de 2025.
Em relação aos investimentos em carteira no mercado interno, houve uma saída líquida de US$ 2,867 bilhões no mês anterior, a maior parte referente a títulos de dívida.
Nos doze meses encerrados em março, esses investimentos totalizaram entradas líquidas de US$ 28,4 bilhões, contra ingressos de US$ 29,5 bilhões nos doze meses até fevereiro de 2026 e retiradas líquidas de US$ 6,8 bilhões no acumulado de doze meses até março de 2025.
O montante de reservas internacionais chegou a US$ 362,002 bilhões em março, apresentando uma diminuição de US$ 9,072 bilhões em relação ao mês anterior.
Transações correntes
No mês de março deste ano, as vendas de bens totalizaram US$ 31,738 bilhões, com um aumento de 9,5% em comparação ao mesmo mês de 2025. Já as importações alcançaram US$ 26,118 bilhões, representando uma alta de 19,9% em relação a março do ano anterior.
Com os resultados das exportações e importações, a balança comercial encerrou com um superávit de US$ 5,620 bilhões no mês passado, contrastando com o déficit de US$ 7,219 bilhões em março de 2025.
O déficit na conta de serviços – que abrange viagens, transporte, locação de equipamentos, serviços de telecomunicações e propriedade intelectual, entre outros – registrou US$ 4,785 bilhões no mês passado, comparado a US$ 4,216 visto em março de 2025.
No mês anterior, o déficit na renda primária – que inclui pagamentos de lucros e dividendos de empresas, assim como juros e salários – chegou a US$ 7,384 bilhões, 17,8% superior ao registrado em março de 2025, que foi de US$ 6,267 bilhões. Esta conta costuma apresentar déficit, uma vez que há um volume maior de investimentos estrangeiros no Brasil – que remetem lucros para fora – do que brasileiros investindo no exterior.
A conta de renda secundária – que é gerada em uma economia e repassada para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de bens ou serviços – apresentou um saldo positivo de US$ 512 milhões no mês passado, em comparação ao superávit de US$ 335 milhões em março de 2025.
Fonte: Agência Brasil
