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Leitura: Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões
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Economia do Dia

Correios registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões

Gabriel Aires
Atualizado em: 23 de abril de 2026 7:13 pm
Gabriel Aires
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Os Correios reportaram um déficit de R$ 8,5 bilhões em 2025. Este montante é mais de três vezes maior do que o registrado em 2024, quando a estatal anunciou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões.

Sumário
Ciclo de dificuldadesTransformação das cartasPrivatização fora das discussões

Conforme a companhia, essa situação é impactada, predominantemente, pelo provisionamento de obrigações judiciais e pela elevação dos custos operacionais.

A maior parcela desse montante decorre de ações legais, que oneraram os Correios em R$ 6,4 bilhões no último ano (um aumento de 55,12% em relação a 2024). O passivo judicial é composto, principalmente, por ações trabalhistas, como os pagamentos solicitados pelos trabalhadores referentes a adicionais por periculosidade e a remunerações pela atividade de coleta e distribuição externa.

No último ano, a receita bruta dos Correios, desconsiderando os valores que a empresa deveria desembolsar, alcançou R$ 17,3 bilhões (uma redução de 11,35% em relação a 2024). O relatório financeiro da empresa será divulgado no Diário Oficial da União.

Com o acúmulo de prejuízos, a companhia procurou por credores e obteve um financiamento que totalizou R$ 12 bilhões por meio de empréstimos de instituições financeiras, tanto públicas quanto privadas.

Ciclo de dificuldades

Desde o último trimestre de 2022, os Correios têm apresentado resultados parciais negativos. No total, a companhia acumula 14 trimestres consecutivos de prejuízo.

“Estamos diante de um ciclo de dificuldades. A falta de recursos causa problemas nos pagamentos aos fornecedores, o que prejudica a operação. Ao impactar a operação, comprometemos nossa habilidade de aumentar o volume de trabalho ou de firmar novos contratos”, esclareceu o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, durante uma coletiva na sede da companhia em Brasília.

Ele afirmou também que a estatal não é capaz de ajustar imediatamente a redução de receitas com cortes de despesas.

“A estrutura de custos é bastante inflexível, ancorada em despesas de caráter fixo. Quando ocorre uma diminuição na receita, não conseguimos reduzir as despesas imediatamente para equilibrar a situação”, disse.

Transformação das cartas

Os resultados negativos surgem em um período de mudanças significativas no setor de atuação dos Correios, quando as empresas de comércio eletrônico ampliam suas operações logísticas – não permanecendo mais dependentes dos Correios.

Esse cenário competitivo é resultado da perda da fatia do mercado de postagem pela estatal, em decorrência da alteração nas formas de comunicação, o que Rondon denomina de “transformação” da carta.

Com formação em economia, o presidente assumiu a posição em setembro do ano passado, com um mandato estendido até agosto de 2027, visando reestruturar a estatal.

Entre as iniciativas de recuperação, a companhia lançou dois planos de demissão voluntária (PDV). Na edição deste ano, 3.181 pessoas optaram pelo desligamento. O número de aderentes foi inferior ao registrado no PDV 2024/2025, que teve 3.756 empregados, mas a inscrição no plano foi permitida em um prazo menor – entre fevereiro e abril deste ano.
A expectativa inicial da estatal era realizar 10 mil desligamentos. Novos processos de demissão voluntária podem ser abertos no futuro.

Privatização fora das discussões

Os Correios implantaram ações para reduzir custos nas operações de recebimento, distribuição e entrega; renegociaram dívidas com fornecedores e aumentaram os prazos de pagamento. Além disso, iniciaram a contenção de despesas relacionadas à ocupação de imóveis e à manutenção de agências.

Emmanoel Rondon está confiante de que a empresa apresentará resultados financeiros positivos a partir de 2027 e que, com a reestruturação, conseguirá atrair mais recursos de financiadores.

Ele não considera a opção de privatização, defendida por grupos de economistas favoráveis ao mercado.

“Este assunto não está em discussão no momento. Estamos focados em apresentar os resultados. A privatização ou não depende do controlador [o governo federal]. O que desejamos é que estamos elaborando um plano de gestão para recuperação, para que a empresa se mantenha íntegra, viável, com capacidade de oferecer um excelente serviço e resultados positivos”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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TAGS:Correiosprejuízosprivatização
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