As vendas brasileiras para os EUA reduziram 11,3% em abril em comparação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as exportações para a China aumentaram 32,5% nesse período. Essas informações foram divulgadas nesta quinta-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que faz parte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As exportações para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,121 bilhões em abril deste ano, em comparação aos US$ 3,517 bilhões registrados em abril de 2025. As compras de produtos norte-americanos diminuíram 18,1%, caindo de US$ 3,780 bilhões para US$ 3,097 bilhões.
Com esses dados, a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos encerrou abril com um superávit de US$ 20 milhões a favor do Brasil.
Impacto das tarifas
Esta marca representa a nona queda seguida nas exportações brasileiras para o mercado americano desde a implementação da sobretaxa de 50% imposta pelo governo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em meados de 2025.
Apesar de terem sido retirados alguns produtos brasileiros da lista de tarifas no final do ano passado, o Mdic projeta que 22% das exportações do Brasil continuam a ser afetadas pelas taxas que foram implementadas em julho de 2025. Esse conjunto inclui itens que apenas enfrentam a tarifa adicional de 40% e também produtos que combinam a taxa extra com a alíquota-base de 10%.
Conforme declarou o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, os dados sugerem uma recuperação gradual dos fluxos comerciais.
“Embora continuemos a observar uma diminuição nas exportações, notamos uma recuperação que vem se desenrolando ao longo dos meses. Neste ano, conseguimos superar a marca de US$ 3 bilhões após vários períodos abaixo desse valor”, comentou.
Crescimento das exportações para a China
Em contraste, as exportações do Brasil para a China aumentaram 32,5% em abril, alcançando US$ 11,610 bilhões, em comparação aos US$ 8,763 bilhões do mesmo mês de 2025.
As importações do país asiático também apresentaram crescimento, subindo 20,7%, passando de US$ 5,018 bilhões para US$ 6,054 bilhões.
Esse resultado proporcionou ao Brasil um superávit comercial de US$ 5,56 bilhões em relação à China no quarto mês do ano.
Entre janeiro e abril, as exportações brasileiras para a China aumentaram 25,4%, totalizando US$ 35,61 bilhões. As importações tiveram uma ligeira redução de 0,4%, somando US$ 23,96 bilhões.
Com isso, o superávit brasileiro com a China durante esse período alcançou US$ 11,65 bilhões.
Queda nas exportações de petróleo
O diretor da Secex também comentou sobre a diminuição nas exportações brasileiras de petróleo bruto registrada no mês passado. Herlon Brandão afirmou que essa movimentação está ligada à volatilidade do mercado internacional e não ao imposto de exportação criado pelo governo para auxiliar na diminuição do preço do diesel.
Essa medida foi implementada em meio à alta mundial dos preços do petróleo, gerada pela guerra no Irã.
“É possível que vejamos esse aumento novamente no próximo mês. Portanto, acredito que não devemos atribuir isso ao imposto de exportação sobre o petróleo bruto”, disse.
Brandão ainda enfatizou que o Brasil se mantém competitivo no setor de petróleo devido ao baixo custo de produção e à elevada demanda externa, o que pode favorecer uma recuperação nas exportações já em maio.
No mês de abril, as exportações de petróleo bruto aumentaram mais de 10% em relação ao mês de abril do ano passado, mas esse crescimento está relacionado ao aumento de 23,7% nos preços médios, impactados pela guerra no Oriente Médio. O volume exportado caiu 10,6% no último mês, segundo a Secex.
Fonte: Agência Brasil
